Caso Isabella

O Brasil todo e quem sabe parte do mundo está acompanhando o caso da menina Isabella, morta e jogada de seu quarto do 6º andar de um prédio de classe média na Grande São Paulo.
Mas observando o teor das reportagens que estão sendo veiculadas fico preocupado com o pai e a madrasta de Isabella. Não sei, aliás, não sabemos se são ou não culpados, mas com certeza estão sofrendo com tudo que vem ocorrendo.

A imprensa, ao que parece pelas reportagens não tem dúvidas quanto a autoria do crime pelo casal, e o pior, a policia começa a acreditar na imprensa.

Moro em Salvador, não conheço o casal, mas estou “escolado” com os absurdos da tríade Policia – Imprensa – Opinião Pública.= IBOPE.

Coçando meus miolos lembro do caso do então Deputado Ibsen Pinheiro, que em 1992 presidiu a sessão do impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Chegou a ser cotado para ser candidato a presidente em 1994, mas ai a imprensa, mais precisamente, a revista Veja, entrou em cena, em Setembro de 1993, deu o furo de reportagem sobre os “Anões do Orçamento”, parlamentares que furtavam dinheiro público através de emendas no orçamento, devido a baixa estatura dos envolvido ficaram conhecidos como “os anões”. Uma CPI foi instalada e ai começou os problemas do Sr. Ibsen , conseguiram envolver o deputado no rolo dos anões e até uma transação financeira normal de Mil Dólares, se transformou em uma transação de UM MILHÃO de Dólares. Em Novembro de 1993 a capa da Veja foi, “Até tu, Ibsen?” Isso desencadeou a  cassação do deputado,  posteriormente considerado inocente.

Foi numa segunda-feira, 28 de março de 1994, que a mídia iniciou uma série de erros e mentiras na falta de conduta ética e jornalística mais clássica da década de 90. O caso da Escola de Educação Infantil Base, referência negativa para o meio jornalístico, fatídico para os envolvidos foi o episódio negro do que se convencionou chamar de jornalismo sensacionalista. Algo que 11 anos depois faz raciocinar as amarras e relações éticas da mídia, do compromisso com a verdade e não com a vendagem, de como uma mentira pública pode destruir a integridade de seres humanos e da promíscua relação com a fonte oficial. Se a idéia era chocar a opinião pública, conseguiu, mas atirou no próprio pé e prejudicou muita gente.

Tudo iniciou quando duas mães, Cléa Parente de Carvalho e Lúcia Eiko Tanoue, procuram a polícia na região da Aclimação, São Paulo, no 6º Distrito, com uma denúncia de abuso sexual contra seus filhos de 4 anos, alunos da Escola Base. A queixa era contra os donos da escola, Icushiro Shimada e sua esposa Aparecida Shimada e o casal de sócios Paula e Maurício Alvarenga. Segundo elas essas pessoas organizavam orgias sexuais com a participação de seus filhos, filmando e fotografando tudo. Além destes, outro casal foi acusado pelas duas mães, Saulo e Mara Nunes, pais de outro aluno da Base. A partir deste ponto a mídia tomou “conta” do caso, julgando e condenando os acusados, inocentes foram presos, humilhados, a escola foi depedrada e pichada pela população em fúria pelas manchetes da mídia.
É por essa e outras que estou com o pé atrás em relação ao caso Isabella. Vamos ter calma, vamos aguardar o veredito da justiça.

Fontes da pesquisa: Observatório da Imprensa , Revista Isto éFazendo Médiawww.igutemberg.org

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